O que podemos fazer para um ano novo de fato?

Estamos diante de 2021 e após um ano tão difícil e atípico como o que se despediu, nutrimos grandes esperanças. Este ano vai ficar marcado não só nas nossas histórias pessoais e na de nosso país, como na de todo planeta. Nossos desejos se voltam para dias melhores, para que haja uma mudança de fato e muitos rezam, ardentemente como de hábito, não tanto por um novo amor, mais dinheiro ou sucesso, e sim pela chegada da vacina, pela saúde, por uma vida mais digna, por um emprego que garanta a comida de cada dia. A pandemia remexeu com nossas vidas; nos obrigou a nos afastarmos da família, dos amigos, trouxe home office, educação online, nos fez cancelar viagens, casamentos, batizados e formaturas. Causou uma grande desordem nas nossas casas, na economia de grande parte da população, quebrou todas as rotinas, desestabilizou vidas, embaralhou emoções e pensamentos. Muitos fantasmas passaram a assombrar a todos.

Como educadores – sejamos pais, avós ou professores, o que nos cabe para que um novo ano seja melhor que o anterior? Acredito que vale tecer algumas reflexões neste início de ano para que nossos pequenos possam colher frutos mais doces não só neste período de 365 dias que se iniciou há pouco, mas em anos vindouros ao longo de suas vidas. E que também nós, adultos, possamos fazê-lo.

Temos presenciado altos níveis de desrespeito, corrupção, descuido com a Natureza, violência, preconceitos, descaso com o ser humano.  Sem dúvida, queremos um ano melhor. Mas muito de tudo isso tem origem na falta de cuidado, de educação ou de valores cuja aprendizagem começa na família e continua na escola. O que podemos fazer para diminuir tais efeitos? Talvez, devido à correria do nosso cotidiano, à necessidade de trabalhar mais para ganhar o necessário, ao cansaço do final de cada dia, alguns aspectos sejam negligenciados. Coisas, às vezes pequenas, contudo, significativas e que exigem persistência, continuidade.

Cenas que não param de acontecer: embalagens sendo jogadas no chão das ruas e praças, nos córregos, arremessadas de carros, de janelas, E quando vamos à praia ou vêm as inundações? Pode-se ver de tudo! Pobre Natureza! Coitado de nosso meio ambiente! Muitas vezes, atitudes que vivenciamos, especialmente com crianças mais velhas, adolescentes ou jovens, notadamente, não podem ser vistas como desrespeito, simplesmente, porque estes jovens indivíduos nem sempre têm noção de que há regras de convivência que não chegaram a aprender. Os professores têm se ressentido com algumas situações vividas na escola, atitudes que já deveriam vir de casa.

O primeiro ponto a enfatizar é que crianças aprendem o que vivem ou presenciam. Por isso é tão importante que as orientemos para que não façam como “todo mundo”, mas que façam o que deveria ser feito. Importante também lembrar que as transformações não virão em um passe de mágica, nem de uma mudança na legislação, mas que dependem de nós, de nossas ações, de nosso compromisso com elas. Nós somos os responsáveis pelas mudanças que desejamos.

Outro ponto a considerar é que ações correspondem a reações, e esta lei deve ser considerada quando educamos nossas crianças. Irritação gera irritação, mau humor afasta as pessoas, gentileza gera gentileza, sorrisos provocam novos sorrisos, amor, afeto e respeito nos aproximam do outro. Vamos estimulá-las a serem delicadas, e se pode começar com o uso das famosas palavrinhas mágicas: obrigada, por favor, com licença, que, quando partem dos pequenos, sempre geram simpatia. Não precisamos gostar de alguém para sermos delicados, e esta aprendizagem nos ajuda na convivência onde quer que estejamos.

Podemos criar ambientes mais saudáveis a nossa volta ensinando nossas crianças a se aceitarem em suas diferenças, a serem mais leves, mais generosas, a apreciarem o que possuem, a valorizar seus amiguinhos e aqueles que as amam; ensinando-as a respeitar os mais velhos, a serem gratas, a valorizarem o que têm ao invés de lamentarem por aquilo que não podem ter.

Ninguém é feliz o tempo todo, é importante ajudá-las a aceitar ou suportar o que lhes traz angústia ou tristeza, decepção ou medo até que tenham maturidade para fazê-lo sozinhas. Com nossa ajuda fica mais fácil. Nesse sentido, acolhamos seus sentimentos e os respeitemos, o que não significa aceitar as birras. Falar o que sentem as ajuda a se sentirem melhor e, muitas vezes, apenas nossa presença, atenção ou mesmo um abraço são suficientes para trazer-lhes conforto.

Em momentos de muito egoísmo como os que temos presenciado, procuremos ensinar-lhes solidariedade e empatia. Em meio a preconceitos e diferenças, ensinemos o respeito àqueles que pensam diferente, que são de outra raça ou seguem outros credos.

Ofereçamos aos nossos pequenos o nosso tempo (e mais vale a qualidade que a quantidade), brinquemos com eles, deixemos que façam escolhas e tomem decisões apropriadas para sua idade, estimulando-lhes a autonomia. Dessa forma, viverão um novo ano com maior autoestima, autoconfiança, com a segurança de que são amados, e, certamente, se sentirão mais felizes.

Um ano realmente novo para você e para aqueles que fazem parte de sua vida.

Grande abraço e até a próxima postagem

Comentários, sugestões e perguntas são sempre bem-vindos. Deixe-os no espaço abaixo, assim que possível responderei.

Author

Lucia Helena Pena Pereira é pedagoga e doutora em Educação. Atua com palestras e oficinas para professores da Educação Infantil, compartilhando a experiência adquirida em pesquisas e em sala de aula na Educação Básica e no Ensino Superior.

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