Refletindo sobre educação emocional e espiritualidade: algumas relações

Enquanto escrevia o artigo anterior, cujo foco era a meditação, fui observando relações significativas entre corporeidade, educação emocional, meditação e espiritualidade, algumas ainda não analisadas por mim, mas que mereceriam um novo olhar e maior aprofundamento. Neste texto, resolvi ir um pouco mais a fundo nessa questão por acreditar que ela é significativa tanto para a criança, quanto para nós, adultos, para que possamos entrar em maior contato conosco e ter relações mais equilibradas, e para que estejamos  mais conscientes do nosso papel junto aos nossos pequenos.

Inteligência Emocional e Inteligências Múltiplas: conceitos diferentes que se interpenetram

Daniel Goleman, que popularizou o conceito de Inteligência Emocional, e Howard Gardner, com sua teoria das Inteligências Múltiplas, ao final do século passado, trouxeram um novo olhar para o desenvolvimento humano e uma nova visão da interface emoções e inteligência (temas tratados em artigos anteriores). Por muito tempo, a razão foi priorizada em detrimento das emoções, pois estas eram consideradas prejudiciais ao bom funcionamento do intelecto. Entretanto, os estudos das neurociências trouxeram uma visão que revolucionou o que estava posto, e as emoções passaram a ser vistas como fundamentais ao bom desempenho da mente.

As teorias citadas acima foram essenciais para que a relação intelecto-inteligência-emoções fosse revista. A teoria das inteligências múltiplas traz uma visão ampliada das habilidades cognitivas, considerando a Inteligência um constructo subdividido em áreas. Uma criança que não tem grande competência em cálculos pode ter maior habilidade linguística ou musical, o que não significa ser mais ou menos inteligente. As habilidades de autoconhecimento e de conhecimento das emoções dos demais passam a ter tanto peso quanto as anteriormente chamadas habilidades cognitivas.

Aprender mais sobre nossas emoções e identificá-las é uma forma de lidar melhor com elas

Educar as emoções significa aprender a administrá-las  e não é algo tão simples como se vê em algumas propostas que carecem de um bom embasamento teórico. O conceito de inteligência emocional, trazido por Peter Salovey e David  Sluyter, no livro “Inteligência emocional da criança”, expressa bem a sua grande complexidade: “Inteligência emocional é a inteligência que envolve a capacidade de perceber acuradamente, avaliar e expressar emoção; a capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a capacidade de compreender a emoção; e a capacidade de controlar emoções reflexivamente, de modo a promover o crescimento emocional e intelectual”.

A definição dos autores não deixa dúvidas de que educar as emoções não se limita à capacidade de percebê-las e controlá-las, mas envolve a ação do pensamento sobre o sentimento, da cognição sobre a emoção e exige múltiplas capacidades. Passando sempre das habilidades mais simples às mais difíceis, do perceber e integrar ao administrar. É um processo complexo de construção permanente, que se inicia em contato com a primeira família, passa pela escola e se estende aos ambientes por onde circulamos ao longo da vida como os profissionais, acadêmicos, grupais, de amigos, etc.

Na primeira infância, de forma muito natural, a criança já expressa suas emoções como o medo, a raiva, a alegria, a tristeza e, com frequência, essas emoções são reprimidas pelos adultos. Estas não podem ser mostradas por duas principais razões: por preconceito, por julgarem que emoções não devem ser mostradas ou porque eles mesmos não sabem como lidar com elas.  Aprendemos que se mostrarmos nossas fraquezas, nossas decepções e frustrações, isso pode ser usado contra nós, ou, então, que ficaremos mal diante dos outros. Reich aponta a contenção de nossas emoções como um dos grandes causadores das couraças musculares e de caráter, que bloqueiam o fluxo da nossa energia vital. Um exemplo que todos, com certeza, conhecem é a “proibição” de sentir raiva de um ser querido e a culpa por um sentimento absolutamente normal e incontrolável. Quem de nós não vivenciou isso? Raiva da mãe ou da professora, do irmão ou de um amiguinho? Sentimentos que vêm e vão, embora seja necessário aprendermos a lidar com eles. Afinal, o problema não é sentir raiva, inveja ou medo, mas, sim, o que fazemos com eles. E é na vivência das situações comuns e com as respostas dos adultos que as crianças podem ou não aprender como gerenciar suas emoções. Isso dá uma pequena mostra de como é necessário saber mais sobre as emoções, tanto sobre as próprias como sobre as dos outros.

Mais acima, citei que as emoções eram consideradas prejudiciais à razão, e muita gente, incluindo boa parte dos educadores, acreditam cegamente nisso, e há um sentido para que tal ocorra, uma vez que, em determinadas circunstâncias, as reações emocionais prejudicam o raciocínio e podem levar a ações indesejáveis. Na verdade, o que nubla o raciocínio são as emoções descontroladas, ou não saber identificá-las e delas se proteger. Reconhecer o que sinto, como se chama e que posso fazer com este sentimento, na verdade, melhora minha capacidade de decidir e de atuar.

Exemplifico: em meio a um acesso de raiva, um motorista dirige como um louco e acaba provocando um acidente. Em um momento de desespero e revolta, uma mulher quebra toda a louça que está na bancada da cozinha, tendo um enorme prejuízo. Estes exemplos mostram um destempero causado por emoções e reações extremadas e nada racionais. Mostram ainda a importância de trabalhar as emoções em vez de desconsiderá-las e “empurrá-las para o fundo do baú” ou “pra baixo do tapete”.

O que é espiritualidade?

A corporeidade, como vimos em textos anteriores, é um conceito que engloba motricidade, afetividade, cognição, espiritualidade, relações pessoais e ambientais. A espiritualidade, no contexto aqui utilizado, se refere às necessidades mais profundas do ser humano e que lhe permitem se tornar uma pessoa melhor, como o cuidado com o outro, com seu meio ambiente e consigo mesmo. Quando se fala em espiritualidade, a relação que, geralmente, se estabelece é com religião, e há uma lógica nesse pensamento uma vez que as religiões se voltam para o desenvolvimento espiritual.  Eu a vejo relacionada à forma como Leonardo Boff a considera, como aquilo que provoca uma transformação mais profunda em nós. O teólogo observa que a percepção da unidade corpo, mente e espírito foi fragmentada, deixando de ser considerada devido a um olhar mecânico-racional da nossa cultura. Eu acrescento aqui o viés capitalista da nossa sociedade em que “ter é muito mais estimulado que ser”.

Cuidar de nós e do nosso meio ambiente: uma manifestação da espiritualidade, da nossa humanidade

Assim, não vejo a espiritualidade ligada a uma crença religiosa, mas sim vinculada a uma dimensão mais profunda do ser humano, que nos induz a ir além de comer, dormir e trabalhar, de realizar tarefas de forma mecânica e rotineira; nos induz a sonhar, a construir algo que tenha sentido para nós, a transcender, a nos responsabilizar, a nos compadecer e nos enternecer, a nos sensibilizar, a partilhar, a viver com mais amorosidade, solidariedade e respeito. Tais qualidades não são próprias apenas de alguns; como Boff afirma, a espiritualidade é própria da natureza humana, faz parte do processo de se humanizar, é justamente a dimensão mais profunda do ser. A falta dos sentimentos que nos tornam mais humanos abre espaço à violência, ao vandalismo, ao desrespeito, à indiferença e a outros tantos danos que a sociedade tem vivenciado. E o próprio Gardner investiga e descreve a espiritualidade como um constructo das oito inteligências múltiplas.

Educação emocional e espiritualidade: unindo os fios

Como vimos, falar em espiritualidade significa falar de uma relação consigo mesmo, com o outro, com a natureza e com o Universo, significa falar da inteligência intrapessoal e da interpessoal, duas das inteligências propostas por Gardner e que são consideradas por Goleman quando trata da inteligência emocional. A inteligência intrapessoal pode ser considerada a capacidade de construir uma imagem real e verdadeira de si mesmo, e de ser capaz de usar essa imagem de forma eficaz. É ter a capacidade de discriminar as próprias emoções, dar nome a elas e saber usá-las para orientar decisões. É uma forma de inteligência que se relaciona à capacidade de se autoperceber e de desenvolver o autoconhecimento. Como ressalta Boff, a espiritualidade que cada um de nós tem se revela pela capacidade de dialogar conosco e com o próprio coração. É poder ouvir nossa alma e atender seus pedidos.

Já a inteligência interpessoal é a capacidade de perceber, valorizar e trabalhar com as intenções e motivações de outras pessoas, de estabelecer relações mais equilibradas. Nas palavras de Boff, a espiritualidade nas relações com o outro se traduz pelo amor, pela sensibilidade, pela compaixão, pela escuta, pelo acolhimento e pelo cuidado. Acrescento aqui o respeito, pois sua ausência tem gerado muita violência tanto psicológica quanto física e inviabilizado muitas relações.

Acolher, cuidar do outro e respeitar as diferenças são expressões da espiritualidade do ser

A meditação de que falamos no último post pode ser considerada uma prática que estimula a nossa espiritualidade, trazendo-nos o aquietamento mental e a consciência do momento presente, uma forma de autocuidado e de autopercepção, portanto de autoconhecimento. Também nos ajuda a criar conexões mais equilibradas e saudáveis não só conosco, mas também com o outro, e estimula a empatia, a capacidade de se ver no lugar da outra pessoa. Isso torna mais fácil criar relações em que haja respeito entre aqueles de raças, crenças e culturas diferentes, com opções sexuais diferenciadas e que haja maior solidariedade e fraternidade de que estamos bastante carentes.

Se a criança, como foi analisado, exercitar desde uma idade mais tenra a prática da meditação, do relaxamento e da respiração, estes recursos preciosos e seus efeitos estarão a sua disposição quando forem necessários. Quanto a nós, adultos, se ainda não começamos, é hora de começar. Afinal, como temos conversado, a neuroplasticidade permite que mudanças ocorram a qualquer tempo. E cuidar de nós é fundamental.

 

Fotos retiradas da web.

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Meditação: o que dizem as neurociências?

 

Há algum tempo, assisti a um documentário que falava da meditação para crianças em escolas de São Paulo, e fiquei muito animada por ver que algo que defendo há algum tempo com as práticas da Bioexpressão vem sendo considerado com maior frequência. O desenvolvimento equilibrado do corpo, das emoções, dos sentidos e da cognição da criança constitui, como enfatiza Violet Oaklander em seu livro Descobrindo crianças, o embasamento do senso do Eu dos pequenos e este, quando fortalecido, gera condições para que a criança mantenha relações apropriadas com seu meio e com as pessoas com quem convive.

A Bioexpressão tem como um dos seus principais eixos as atividades de centramento, que objetivam estimular uma respiração mais profunda e favorecer o equilíbrio emocional. A respiração consciente, o relaxamento e a meditação criam um senso de concentração e reequilibram as emoções, aumentando a vitalidade do organismo.

Vivemos uma fase de muita ebulição, de uma preocupação enorme com o ter e o fazer, mas de pouco investimento no ser. Uma época em que somos expostos a muitos estímulos externos o que inclui tablets, computadores, celulares e televisão, que exercem um grande poder e fascínio sobre nossos pequenos (e sobre jovens e adultos, também), cujo uso merece ser visto com cuidado para evitar problemas como analisei em artigo anterior.

Experiências de meditação, visualização, relaxamento e respiração conscientes criam novos caminhos neurais, novas sinapses e conectam todo o cérebro, gerando um novo fluxo de informações e compreensão do aqui-agora. No aquietamento necessário para tais experiências, sentimos paz e temos maior clareza do que acontece a nossa volta.

A meditação ativa permite que a criança se entregue ao momento através de movimentos suaves (Foto de Jaqueline Madeira).

Experimentos científicos realizados mostram como a prática da meditação altera as sinapses cerebrais permitindo maior controle do corpo como a redução da pressão arterial, da aceleração cardíaca e da respiração superficial e irregular, oportunizando que emoções descontroladas sejam substituídas por outras mais saudáveis.

Ensinar nossos pequenos a entrarem em contato consigo e se aquietarem por alguns momentos pode ser mais simples do que se pensa. E, na escola, isso pode ocorrer de forma muito natural com o trabalho em grupo, como já acompanhei algumas vezes. Inicialmente, tudo se mostra uma grande brincadeira para os pequenos, que, gradativamente, vão aprendendo a aquietar o corpo e a mente. Isso se aplica à meditação e, também, às atividades de respiração e relaxamento que são excelentes caminhos para o autoequilíbrio.

As atividades de relaxamento e respiração que nos conduzem a um estado meditativo estimulam áreas do cérebro relacionadas à atenção, à memória e ao raciocínio, o que favorece a aprendizagem, assim como a autoconsciência e a autorregulação emocional. Isso se dá através da plasticidade cerebral que tem o poder de transformar o cérebro emocional, criando muitas possibilidades, como observa o cardiologista brasileiro Georg Tuppy, que afirma meditar a mais de dez anos, sentindo os efeitos positivos desta prática e estimulando seus pacientes a realizá-la. Segundo ele, “não estamos presos ao cérebro com o qual nascemos, pois temos a capacidade de direcionar deliberadamente as funções que vão florir e as que vão fenecer, as capacidades morais que vão surgir e as que não vão surgir, as emoções que vão florescer e as que vão ser silenciadas”. Aquela observação que ouvimos muitas vezes de “nasci assim e vou morrer assim”, está longe de ser verdadeira como mostram os estudos das neurociências. Esta é uma desculpa dos que se acomodam e não querem investir em mudanças.

Meditar traz efeitos muito positivos como aquietar a mente, propiciar um sono mais tranquilo, relaxar, diminuir a ansiedade, estimular o funcionamento do sistema imunológico, estimular a criatividade, a imaginação e a autodisciplina, aprender a respirar em momentos de tensão, trabalhar a autoestima positiva. E podemos afirmar que os muito ganhos aqui elencados não são apenas para as crianças, mas para todos que invistam nesse processo.

A criança que passar pela experiência da meditação com regularidade, se tornará um jovem e um adulto com bem mais facilidade de meditar e usufruir os efeitos desta técnica milenar que ganha, a cada dia, maior número de adeptos. Pesquisas na área médica revelam resultados muito positivos, incluindo a melhora de doenças e/ou maior equilíbrio para lidar com elas. No Rio de Janeiro, o INCA – Instituto Nacional do Câncer tem uma experiência maravilhosa no setor pediátrico com sessões de meditação, que ajudam as crianças e seus responsáveis a lidarem com as tensões e dificuldades de enfrentar o tratamento. Também membros da equipe médica  e de enfermagem participam desses momentos de alívio de uma rotina estressante, contribuindo para que se tornem mais empáticos.

Vale enfatizar que a meditação nos ajuda a criar conexões mais equilibradas e saudáveis não só conosco, mas também com o outro, e aumenta a empatia, a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. Isso facilita que se criem relações em que, independente de raças, crenças religiosas ou culturas, predomine um espírito de solidariedade e fraternidade de que estamos bastante carentes. As práticas meditativas contribuem, por tudo isso, para aumentar a inteligência emocional e a resiliência, a capacidade de lidar com as adversidades e delas se recobrar mais facilmente.

Pequenos movimentos e alongamentos podem dar início ao momento da meditação (Foto de Rosilene Maria da Silva Gaio)

 

Não podemos esquecer que a criança, especialmente na Educação Infantil, ainda não está preparada para ficar períodos mais longos concentrada e que o efeito de uma tentativa de maior tempo de imobilidade não teria êxito. Portanto, devemos oferecer poucos minutinhos que poderão ser aumentados aos poucos, de acordo com a aceitação da criança.

É importante que os pequenos não se sintam forçados a praticar a meditação. Sugiro sempre aos educadores (pais ou professores) que façam deste momento uma atividade lúdica e que, em princípio, seja orientada por eles. Há várias formas de meditar, mas pela minha experiência, a narração de uma história a ser vivenciada pela imaginação, é uma ótima opção, ou seja, temos um processo de visualização ou imagens mentais. O educador deve conduzir a criança com uma pequena história de fácil compreensão, de forma relaxante, com voz suave.

“Feche os olhos e imagine que você está flutuando como um barquinho em um lago muito azul que reflete o céu. (Pausa para que imaginem) Um calorzinho gostoso aquece seu rosto e um ventinho bem suave faz com que você se movimente por este lago. (Pausa) Sinta seu corpo subindo e descendo com o movimento suave das pequenas ondas que se formam, ouça o barulhinho da água, sinta o cheirinho da mata que cerca o lago. (Pausa) Aos poucos, você vai flutuando até a margem e se senta na areia, respira profundamente se espreguiçando.”

Muitas são as possibilidades, e você pode criar pequenas narrativas que façam parte da vivência da(s) criança(s). Podemos pedir que fechem os olhos e usar sons que permaneçam vibrando por um tempo e que devem ser ouvidos até que desapareçam como o de um sino tibetano, um pau de chuva ou a corda de um violão. Isso ajuda muito a concentração dos pequenos. Repita apenas um número de vezes que não cause dispersão.

Há muitas sugestões interessantes que podem ser encontradas na web, mas, como disse antes, você pode criar as possibilidades. Deixe que sua imaginação o ajude nesta tarefa.

 

Fotos de arquivo pessoal de Jaqueline Madeira e Rosilene Maria da Silva Gaio que realizaram  pesquisas nessa área sob minha orientação.

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O que eu gostaria de já saber com filhos e alunos pequenos

Um olhar para a Educação Infantil. Este é o foco do livro cujo lançamento acontece em 26 de abril em São João del-Rei no Solar da Baronesa – Centro Cultural UFSJ às 17h30min.
A finalidade é travar uma conversa com educadores, tanto pais e professores como aqueles que cuidam dos nossos pequenos e têm a tarefa de orientá-los no dia a dia, seja na escola, em casa ou em outros locais. Gostaria muito de saber o que sei agora quando tinha filhos e alunos pequenos. Com certeza, teria lidado melhor com muitas situações, superado melhor diversas dificuldades. O fato de ser avó e ter sido, por muitos anos, professora de futuros professores de crianças, também, me permitiu e permite vivenciar e me conectar a situações muito atuais que afligem responsáveis pelos pequenos.

São 22 capítulos em uma linguagem bem acessível com sugestões de atividades, aliando teoria e prática com leveza. O tempo é sempre corrido, mas todos nós que cuidamos da criança sabemos da necessidade de conhecer um pouco mais os desafios de nossa tarefa. Assim, embora utilize uma linguagem simples, as questões não são tratadas de forma simplista.

A temática é bem variada, mas há ênfase em alguns aspectos em que desenvolvi e orientei pesquisas e sobre os quais escrevi: Bioexpressão, educação infantil, corporeidade, movimento, ludicidade e arte. Estes conhecimentos dão, ainda, a estrutura necessária para lidar com algumas questões de que nossa sociedade está muito carente como educação emocional, resiliência, o estabelecer limites, relações mais equilibradas, entre outras.

As questões que dizem respeito à criança são de extrema importância, pois, nesta fase da vida, estamos trabalhando as bases para o restante dela. Crianças felizes e bem orientadas se tornam adultos que lidam melhor com as dificuldades da adolescência e da fase adulta. Crianças que desenvolvem de forma adequada aspectos mentais, emocionais e corporais se tornam adultos mais inteiros, que aprendem a valorizá-los e a considerá-los positivamente.

Nossa educação está pautada prioritariamente no trabalho mental, e não é difícil encontrarmos adultos com um grande desenvolvimento intelectual, alguns brilhantes, mas com grande imaturidade emocional e sérias dificuldades corporais. Saber lidar com as próprias emoções é um dos grandes investimentos que precisam ser considerados tanto na escola quanto em família. Sentir-se acolhido no próprio corpo e de bem com ele, sabendo escutar seus sábios conselhos também é um grande ganho. E sabe qual a melhor notícia? É bem mais fácil estimular tais ganhos quando a criança ainda se encontra na primeira infância.

Estresse, plasticidade cerebral e aprendizagem: o que é importante saber?

Como observei no nosso último texto, chamamos de neuroplasticidade a capacidade cerebral de mudar e reorganizar sua rede neuronal em função de demandas do meio ambiente, de experiências vividas, de aprendizagens e memórias. Sempre que aprendemos algo novo ou vivemos experiências diferentes das habituais como quando fazemos uma viagem que nos encanta, visitamos um museu ou lemos um livro que nos envolve, e mesmo quando sentimos uma sensação ainda não sentida como pegar nosso primeiro filho ou netinho no colo, as sinapses se fortalecem, estes momentos ficam indelevelmente registrados. Isto é, ativam-se as transmissões de impulsos nervosos entre os neurônios.

Com a criança não é diferente. Quando ela tem experiências diferentes, situações envolventes e estímulos prazerosos, há este fortalecimento neural. Isto se dá porque a neuroplasticidade ocorre de forma muito mais rápida e intensa quando associada a interesse, vontade e motivação. Uma atividade maçante só nos estimula a querer terminá-la o mais rápido possível, e a memória a descarta.

Outro aspecto importante a considerar é que nem sempre os estímulos são positivos, muitas vezes, causam estresse, resultado de um desequilíbrio entre demandas internas e externas, estando associados a medos, frustrações, raiva ou ansiedade. Este desequilíbrio ocorre desde a mais tenra idade ao longo de toda a vida. Nossa habilidade em lidar com o estresse, isto é, a forma como o enfrentamos, permite (ou não) que seus impactos sejam minimizados. É necessário que sejam encontradas respostas adequadas para lidar com as situações estressantes e estimular a neuroplasticidade, uma vez que esta é afetada por agentes estressores, podendo mesmo dificultar o processo de aprendizagem.

Ortiz Alonso, prestigiado neurocientista, especialista em educação, afirma: “A diferença entre um cérebro que se exercita na escola de forma ordenada, regular e sustentável e outro que não o faz é a mesma que existe entre uma árvore vista no outono e na primavera”.

Situações estressantes fazem parte da vida, e cabe a nós aprendermos a lidar com elas e nos defender de efeitos nocivos, protegendo também nossos pequenos, facilitando o desenvolvimento da resiliência, a capacidade de lidar com as adversidades, e estabelecendo respostas mais saudáveis.

Vamos exemplificar: um adulto, diante de uma situação estressante pode repetir determinadas atitudes como brigar com a família ou os colegas no trabalho, dirigir feito um louco colocando sua integridade e a dos outros em risco, reclamar de Deus e do mundo, bater portas e panelas… Uma criança pode chutar o coleguinha, chorar, morder, gritar, jogar objetos… Tais atos se tornam padrões de comportamento frente à tensão. E como criar novos padrões, evitando que os antigos sejam automaticamente assumidos?

O neurocientista Michael Merzenich nos diz que o que muda no cérebro é a força conjunta das conexões neurais. Uma ação repetida, praticada várias vezes, fortalece as sinapses. Assim, há práticas que podem criar respostas diferenciadas e, para isso, manter a regularidade é fundamental, assim como manter a motivação. Se a criança, por exemplo, não obtiver resultados com suas manhas e perceber que se não as fizer terá mais atenção, este se torna um fator motivacional para mudança de atitude.

O estresse afeta os receptores do hipocampo, que já não conseguem desenvolver sua capacidade de memória, atenção e codificação de coisas novas, dificultando, portanto, a aprendizagem. Muitas vezes, crianças que sofrem ou presenciam violência doméstica mesmo que psicológica, ou cujos pais se separam de forma traumática, por exemplo, apresentam dificuldades de aprendizagem que podem ser justificadas por um alto nível de estresse.

Muitas são as possibilidades que podem ser trabalhadas para minimizar efeitos do estresse e/ou evitar que se instalem; trago algumas sugestões de atividades que podem ser usadas com as crianças, sendo, aos poucos transformadas em hábitos saudáveis, ocasionando novas respostas.

Como lidar com o estresse, ativar estruturas cerebrais e estimular a aprendizagem?

Ouvindo histórias

Um aspecto significativo para enfatizar quando pensamos a prática pedagógica é que estímulos diferenciados que envolvem a criança, que lhe trazem encantamento e prazer, que lhe permitem se expressar como as brincadeiras, a contação de histórias, as atividades ludoartísticas, o movimento, a expressão criativa entre outras ativam estruturas cerebrais, minimizam o estresse, facilitando a aprendizagem.

A educação infantil deveria dar continuidade ao seu deslumbramento de descobrir o mundo; à percepção sensorial vívida que a desperta para sabores, aromas, ruídos, imagens, texturas; que faz com que sua curiosidade se aguce e a tome por inteiro; com que pulse alegremente diante do novo – dos sons, das cores, das tramas, dos gestos, das sensações…

As atividades ludoartísticas, que expandem nossa imaginação e o nosso potencial de entendimento, são possibilitadoras de uma educação mais sensível e prazerosa, de criar outras possibilidades de ver o mundo, de se expressar, de criar, de perceber e de sentir.

O Dr. Ortiz Alonso, em entrevista a El País, observa que a brincadeira prepara para a vida, desenvolve a cognição e a moral. Eu acrescento que trabalha também as emoções e que é um poderoso estímulo para a aprendizagem. A brincadeira traz a motivação, a interação entre os coleguinhas, o saber lidar com ideias diferentes. “Com mais novidade, o cérebro capta informações com mais velocidade e as arquiva muito melhor. A pergunta é por que os adultos não continuam brincando. Perdemos essa capacidade? É uma grande pergunta e acontece em todas as culturas. Antes da Revolução Industrial, o aluno aprendia de uma forma prática e utilizava mais a brincadeira do que nós. (…) Em nossa sociedade, a memória e o conhecimento estão associados aos sistemas educacionais. Com brincadeiras se levaria mais tempo e hoje a rapidez é um valor”. Também por isso, posso seguramente afirmar, que a escola nem sempre reserva um tempo fundamental para a brincadeira, com a falsa ideia de que brincar é perder tempo, a partir da crença de que “tempo é dinheiro”.

Brincando com jogos cantados

A música é um santo remédio, um caso à parte e está provado por vários estudos que relaxa e ativa a memória. Benefícios em dose dupla. Jogos cantados devem fazer parte da rotina escolar, pois aliam o movimento à música, trazem alegria e prazer que são antiestresse. E como sabiamente afirma o conhecimento popular: quem canta seus males espanta.

Outras atividades prazerosas podem nos ajudar muito a lidar com o estresse e estimular a neuroplasticidade como atividades respiratórias, a meditação ativa e a visualização. E, naturalmente, para a criança devem ter uma boa dose de ludicidade. Mas voltaremos a isso no próximo artigo. Por hoje, ficamos por aqui.

Fotos de meu arquivo pessoal.

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Aprendizagem e neuroplasticidade: algumas relações iniciais

Não tenho a menor dúvida de que todos nós, educadores, sejamos professores ou pais, queremos que nossos pequenos se desenvolvam e aprendam, e que também tenham prazer em passar por esse processo. Entretanto, a aprendizagem não ocorre de maneira linear, não é a mesma para todos, e o conhecimento da neuroplasticidade pode nos ajudar a entender melhor alguns aspectos da estimulação da criança e do direcionamento da prática pedagógica.

Ao longo de nossa existência, o cérebro passa por uma constante mutação de sua rede de conexões neurais – as sinapses, e estas conexões se devem aos estímulos do meio ambiente, do contato com pessoas e situações. A plasticidade cerebral é a capacidade que o cérebro tem em se adaptar às necessidades do indivíduo. O Sistema Nervoso Central (SNC) é capaz de modificar sua organização estrutural e funcional em função dos estímulos externos. A partir de experiências vividas pelo indivíduo, redes de neurônios são reorganizadas, sinapses são reforçadas e são possibilitadas novas respostas em função do que é necessário.

Até meados do século passado, acreditava-se que as conexões entre os neurônios (sinapses) que se formavam na infância eram imutáveis. Mas estudos em neurociências nos mostram que não é isso que acontece, nos mostram que estas sinapses continuam a surgir durante a fase adulta, o que significa que sempre é tempo de aprender. Porém, os estudos também apontam que o sistema nervoso da criança tem maior plasticidade que o de um adulto, e isto significa que é importante que a criança possa ser estimulada nessa fase para favorecer seu desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social.

Um primeiro ponto importante para a prática pedagógica a enfatizar é que estímulos diferenciados (música, brincadeiras, movimento, desenhos, pinturas, modelagem, diálogos da criança com o adulto e com os amiguinhos, entre muitos outros) ativam estruturas cerebrais.

Outro ponto é que adquirir novos conhecimentos depende de conhecimentos anteriores, assim como de estímulos para aquisição e manutenção do aprendizado.  O conhecimento prévio necessário para adquirir uma nova noção é fundamental, assim como os métodos pedagógicos mais adequados para o nível de aprendizado do educando.  Por exemplo: A criança precisa adquirir uma coordenação global dos movimentos para que tempos ritmados possam ser trabalhados em danças e jogos cantados.  Ela precisa ainda ser estimulada de forma a “curtir” o novo conhecimento (Neste aspecto acredito que isto não é difícil).

Se isso ocorrer, aquele que faz a mediação da aprendizagem, o educador, poderá ter maiores chances de ser bem sucedido. Porém, se a qualidade da mediação não for boa o bastante, as sinapses ocorridas podem não ser eficientes o bastante para que a aprendizagem aconteça.

Dois aspectos merecem ainda ser destacados aqui: o primeiro se apoia na questão de que falamos em nosso artigo do mês de janeiro – a corporeidade, considerando que o indivíduo é uma totalidade que envolve cognição, afetividade, motricidade e relações com o outro e com seu meio social.  Assim, a aprendizagem também ocorre de forma mais ampla. Aquilo que nos afeta (isto é, que atua em nossa afetividade, que nos traz alguma emoção como alegria, encantamento ou prazer), ou que podemos vivenciar corporalmente, ou criativamente, que tem relação direta com com nosso grupo social (como o estudo da região em que a criança mora) será mais facilmente apreendido e aprendido. É importante ter clareza de que o aluno como um todo está envolvido na aprendizagem, não apenas o intelecto.

Outro aspecto a considerar é o que a teoria das Inteligências Múltiplas, criada pelo psicólogo norte-americano Howard Gardner, na década de 1980, nos traz de contribuição. Segundo ele, cada indivíduo tem uma forma própria de ser, com aptidões diferenciadas, interesses diversos. Gardner propôs sete diferentes tipos de inteligência, deixando de lado o conhecido QI (quociente de inteligência) usado na época. São elas: inteligência linguística, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, inteligência musical, interpessoal e intrapessoal.  Posteriormente, a inteligência naturalística foi adicionada à lista.

Assim sendo, não se aprende da mesma maneira, pois há maior ou menor afinidade com diferentes áreas de conhecimento, de acordo com o tipo de inteligência que predomina em cada indivíduo. Todos nós temos todas elas em maior ou menor grau e todas as inteligências podem ser estimuladas e desenvolvidas ao longo da vida. Isso nos permite compreender que é necessário que as crianças recebam maior suporte do professor para trabalhar determinados conteúdos em que haja maiores dificuldades. E isso pode significar mudar a maneira de ensinar. Se o professor repete, mesmo que numerosas vezes, da mesma maneira, a explicação de um conceito, são sempre ativadas as mesmas conexões neurais, o que não favorece a aprendizagem.

O fato de que todas as inteligências podem ser estimuladas e desenvolvidas se refere ao poder de o cérebro criar novas sinapses, ativando áreas menos desenvolvidas.

Se faz necessário considerar as competências e habilidades do indivíduo visto em sua totalidade, que não se valorizem apenas a inteligência linguística ou lógico-matemática, as duas formas de inteligência priorizadas na escola. São importantes? Claro, sem sombra de dúvida!!! O problema é que as demais formas de Inteligência não sejam devidamente consideradas, sejam deixadas de lado.

Se os educadores tiverem conhecimento da inter-relação entre neuroplasticidade  e o processo de aprendizagem, poderão ter maior clareza da importância de  instigar novas aquisições, inovar, propor atividades que estimulem motricidade, cognição, emoções e as relações, e que sejam significativas para as crianças, gerando maior desenvolvimento.

 

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Qual o lugar do corpo na escola?

Será sentado atrás de carteiras enfileiradas? Será que conter a vivacidade da criança é o mais indicado para seu desenvolvimento? Como permitir que a criança possa, desde pequena, desenvolver seu potencial expressivo?

O ser humano para seu desenvolvimento mais equilibrado precisa ser considerado como alguém que pensa, sente, se movimenta, e está vinculado a seu meio sociocultural, o que significa ser considerado em sua corporeidade. O movimento é visto, na maioria das vezes, como se atrapalhasse o desenvolvimento e a aprendizagem da criança, ideia totalmente falsa, mais que isso, uma ideia absurda, uma vez que o movimento é condição fundamental para a construção do conhecimento pela criança, no processo de conhecer a si mesma e se diferenciar do outro, enfim, de sua constituição como sujeito.

O desenvolvimento da criança implica consciência e conhecimento progressivo e cada vez mais profundo do próprio corpo. A criança é o seu corpo e a criança é movimento. Até que a criança tenha adquirido a linguagem verbal de forma mais ampla, é a motricidade o que lhe permite atender suas necessidades básicas, expressar emoções e criar relações. E é desta forma que ela se desenvolve e constrói aos poucos a sua personalidade. A motricidade é o que permite a interação entre o seu movimento interno e o externo, é o que permite que a criança estabeleça relações com seu grupo social (família, escola, amiguinhos da pracinha, da natação, etc).

É através do corpo, do movimento e dos sentidos que a criança percebe o mundo que a cerca, com ele interage e o transforma. O que é experienciado é imediatamente assimilado, o que é vivido é mais facilmente apreendido e aprendido. No entanto, à criança tem sido, com frequência, imposta uma imobilidade que contraria suas necessidades fundamentais, e atividades pouco ou nada significativas para sua experiência pessoal que, muitas vezes, seguem rotinas rígidas e repetitivas que não possibilitam o desenvolvimento de sua autonomia e expressividade.

Os espaços são inadequados, especialmente na educação infantil, em geral, ocupados por mesinhas e cadeiras, que tolhem as atividades físicas da criança, reduzem seu campo de experiências e reprimem a expressão natural de suas emoções. Se lhe são oferecidos movimentos reduzidos e rígidos, repetitivos e imitados, suas sensações e sua vivacidade vão sendo entorpecidas, o que tenderá a gerar desajeitamento e desconfiança, que poderão permanecer na juventude e idade adulta. O psicopedagogo e psicomotricista Vítor da Fonseca observa que muitas “epidemias escolares” como dislexias, disgrafias e discalculias põem em questão os métodos de aprendizagem, afirmando que mobilidade e inteligência são inseparáveis, uma vez que o pensamento se estrutura por meio do movimento.

Há anos atrás, fazia parte da infância brincar na rua, correr, ter contato com espaços amplos. Hoje, infelizmente, por motivos incontestáveis como a insegurança, isso não acontece da mesma forma, o que é mais uma razão para estarmos atentos a esse aspecto. O corpo tem permanecido muitas horas imóvel diante das telas de TV, computadores e celulares, questão esta que não cabe aprofundar neste momento, mas que merece atenção redobrada.

As muitas pesquisas que desenvolvi e orientei de mestrado, doutorado, iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso (TCC) e outras tantas que li, além do acompanhamento de estágios, mostram que o controle corporal é muito mais comum do que imaginamos, e que é preciso insistir nessa questão, pois as crianças de hoje serão os adultos de amanhã. E é mais que desejável que se tornem adultos que, além de usarem a cabeça, saibam lidar com suas emoções e com seu corpo, enfim, que sejam pessoas felizes consigo mesmas e que saibam se relacionar adequadamente, o que percebemos ser uma carência do nosso mundo.

A escola é um espaço privilegiado para o movimento, as relações e o desenvolvimento. Existem muitas possibilidades de movimento e podemos escolher o que mais se adeque ao local e ao momento. E movimento não significa necessariamente desordem ou indisciplina, podem ser jogos cantados, representações, brincadeiras e muitas outras possibilidades. Mais adiante, vamos falar um pouco mais do significado e da importância de considerar a corporeidade na escola e como esta visão integrativa ajuda nossos pequenos a se tornarem pessoas mais inteiras.

Nosso blog se transformou em livro…

Fotos retiradas da web.

Deixe suas sugestões, perguntas ou comentários, pois eles são importantes para nós; responderemos assim que possível.

Nosso blog se transformou em livro…

Olá, educadores,

Estamos de volta com muita alegria e animação. Mas, antes de publicar nosso primeiro artigo deste ano, quero lhes apresentar meu novo livro, cujo foco, como os textos deste blog, é a criança pequena. Nossos artigos foram aprofundados, reorganizados por temáticas, ganharam referências bibliográficas e se transformaram em livro: O que eu gostaria de já saber com filhos e alunos pequenos. Um olhar para a Educação Infantil.

Este livro tem por finalidade travar uma conversa com educadores, tanto pais e professores como aqueles que cuidam dos nossos pequenos e têm a tarefa de orientá-los no dia a dia, seja na escola, em casa ou em outros locais. Gostaria muito de saber o que sei agora quando tinha filhos e alunos pequenos. Com certeza, teria lidado melhor com muitas situações, superado melhor diversas dificuldades. O fato de ser avó e ter sido, por muitos anos, professora de futuros professores de crianças, também, me permitiu e permite vivenciar e me conectar a situações muito atuais que afligem responsáveis pelos pequenos.

São 22 capítulos não muito longos, em uma linguagem bem acessível com sugestões de atividades, aliando teoria e prática com leveza. O tempo é sempre corrido, mas todos nós que cuidamos da criança sabemos da necessidade de conhecer um pouco mais os desafios de nossa tarefa. Assim, embora utilize uma linguagem simples, as questões não são tratadas de forma simplista. Ao final de cada uma das quatro partes que compõem a obra, são apresentadas, além das referências que surgem nos capítulos, algumas sugestões de outras leituras para quem deseje saber mais e aprofundar o assunto trazido. Tive o cuidado de organizar os capítulos por assunto para que o leitor possa reler ou antecipar algo que lhe desperte maior atenção ou interesse.

A temática é bem variada, mas há ênfase em alguns aspectos em que desenvolvi e orientei pesquisas e sobre os quais escrevi: Bioexpressão, corporeidade, movimento, ludicidade e arte. Estes conhecimentos dão, ainda, a estrutura necessária para lidar com algumas questões de que nossa sociedade está muito carente como educação emocional, resiliência, o estabelecer limites, relações mais equilibradas, entre outras.

As questões que dizem respeito à criança são de extrema importância, pois, nesta fase da vida, estamos trabalhando as bases para o restante dela. Crianças felizes e bem orientadas se tornam adultos que lidam melhor com as dificuldades da adolescência ou da fase adulta. Crianças que desenvolvem de forma adequada aspectos mentais, emocionais e corporais se tornam adultos mais inteiros, que aprendem a se valorizar e a considerar positivamente tais aspectos.

Nossa educação está pautada prioritariamente no trabalho mental, e não é difícil encontrarmos adultos com um grande desenvolvimento intelectual, mas com uma grande imaturidade emocional e sérias dificuldades corporais. Saber lidar com as próprias emoções é um dos grandes investimentos que precisam ser considerados tanto na escola quanto em família. Sentir-se acolhido no próprio corpo e de bem com ele, sabendo escutar seus sábios conselhos também é um grande ganho. E sabe qual a melhor notícia? É bem mais fácil estimular tais ganhos quando a criança ainda se encontra na primeira infância.

Grande abraço e até breve

Agradecimentos, justificativa e desejos

Muitos vêm acompanhando minhas postagens, alguns por mais de dois anos ininterruptos, me dando retorno pelo site do Olá, pais, pelas redes sociais e pelo Messenger, desde sua criação em junho de 2016. Quero agradecer a companhia, recadinhos, perguntas, sugestões, comentários recebidos mesmo depois que houve uma pausa imprevista nas publicações dos textos no segundo semestre deste ano.

Quero também justificar esta interrupção por alguns meses por problema de saúde na família, o que alterou, completamente, meu ritmo de vida, não tendo condições de escrever textos novos, que me exigem pesquisa, quietude, e principalmente, foco.

O ano está terminando e o Natal já se mostra, nos exigindo reflexões sobre a vida, sobre os processos de crescimento pessoal, das relações, e de traçar os próximos passos, processos estes que se referem, especialmente, à espiritualidade, pois significam mudanças que possam nos tornar pessoas melhores e mais inteiras, pessoas mais capazes, também, de contribuir com o crescimento de nossos pequenos.

Desejo a todos nós um Natal pleno de paz, amor, fraternidade e alegrias.

Desejo, ainda, que 2019 seja melhor que 2018, e que não nos faltem esperanças, possibilidades, coragem e fé. E me aproprio de Carlos Drummond de Andrade que nos diz em seu poema Receita de Ano Novo:

Para ganhar um Ano Novo,

[…]

[você] tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

 

Até breve! Seguiremos juntos em 2019, com muita energia e alegria.

Grande abraço

Lucia Helena

Muitos são os estudiosos da criança que nos trazem orientações inestimáveis para a compreensão do desenvolvimento infantil. Mas um deles me fascina pela forma como analisa este processo e pela visão de totalidade que nos oferece: Henri Wallon. Tendo sido médico e psicólogo, e se dedicado aos estudos da psicomotricidade, o estudioso francês nos oferece uma rica produção que analisa em amplitude e profundidade a evolução da criança e suas características. Mas também enfatiza as diferenças que podemos encontrar entre faixas etárias, de uma criança para outra, como se caracterizam os vários estágios de desenvolvimento, nos chamando a atenção para suas singularidades e para seu contexto.

A teoria walloniana considera a criança um ser global em seus aspectos afetivo, cognitivo e motor. Atribui, ainda, ao meio social um papel fundamental na formação e desenvolvimento da criança, tendo a observação sido utilizada como método essencial para compreender as atitudes e comportamentos infantis.

Falar da influência do meio, isto é, do contexto da criança sobre seu desenvolvimento, implica aspectos múltiplos: o ambiente físico, as pessoas que convivem com a criança, a linguagem e o conhecimento utilizados, o fato de esta criança ser mais ou menos estimulada, de receber mais ou menos atenção, de ser ou não acolhida. Estes aspectos interagem e tanto podem contribuir para o desenvolvimento da criança como para impedi-lo ou prejudicá-lo. Cada criança tem suas particularidades e uma história de vida diferenciada, por isso, cada uma tem um desenvolvimento próprio, inclusive aquelas que têm a mesma faixa etária. Mesmo gêmeos que estejam no mesmo ambiente podem ter processos diferentes: falar, andar ou se alfabetizar em momentos diversos, por exemplo. Isto porque se apropriam dos recursos que o meio oferece também de formas diferenciadas.

Assim, não devemos comparar nossas crianças ao amiguinho, ao primo ou a quem quer que seja. Cada um tem seu tempo e suas características. A ansiedade dos pais porque o vizinho, o priminho e a filha da amiga já estão lendo, mas seu filho ainda não, pode gerar ansiedade também na criança, assim como insegurança. Crianças se ressentem muito com as emoções dos que a cercam, é o chamado contágio emocional.

O processo de desenvolvimento passa por etapas progressivas, mas não é contínuo, podem ocorrer estagnações ou retrocessos. O processo de desenvolvimento é comparado pelo autor a um pêndulo: progride, volta ao anterior, regride, volta a progredir. Também ocorrem alternâncias entre a predominância dos aspectos cognitivos ou afetivos, entretanto sempre se mantêm integrados no processo de desenvolvimento: os afetos influenciam as relações e os processos de aprendizagem, e o corpo é o veículo principal de expressão intelectual e afetiva. Vale observar que a palavra afeto aqui não tem o mesmo sentido de carinho, mas daquilo que nos afeta, de nossos sentimentos e emoções: alegria, tristeza, raiva, medo, entre outros.

Wallon considerava a criança contextualizada,ou seja, considerada em seu ambiente social e cultural..

Enumero algumas lições que Wallon legou para todos nós, educadores, tanto pais quanto professores:

* O movimento é fundamental para que o pensamento se desenvolva e se organize;

* É importante que pais e professores saibam lidar com suas próprias emoções, pois estas influenciam sua atuação assim como o comportamento das crianças. As emoções são contagiosas. Já repararam que, na escolinha, quando uma criança chora, é uma choradeira geral? E que quando estamos mais agitados, as crianças também ficam?

* Outro ponto importante é a necessidade de aprender a ler os sinais que as crianças emitem, pois a infância é a fase em que as emoções se mostram com mais facilidade, é quando podemos interpretar as pistas fornecidas pela respiração, postura, fisionomia, entonação da fala, pelo olhar e pelos gestos com mais facilidade. Especialmente quando há mudanças marcantes, como uma criança que não que falar, comer, brincar…

* Tanto o movimento excessivo, quanto a sua “ausência” podem revelar a presença de uma determinada emoção. Criança muito quieta deve fazer com que o nosso sinal de alerta funcione.

* É papel da escola também promover o desenvolvimento da personalidade da criança, o que significa ir além do mero desenvolvimento das funções intelectuais; os progressos da inteligência que são, especialmente, responsabilidade do professor, dependem, em grande parte, do desenvolvimento da afetividade e da motricidade.

* Brincar é uma necessidade da criança e fundamental para o seu desenvolvimento. Sejam jogos, brincadeiras de faz-de-conta ou imitação são experiências importantes no desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo das crianças.

* Quando a criança se movimenta, explorando seu corpo, suas possibilidades de ação, também explora sua atividade psíquica, uma vez que não somos formados por segmentos dissociados, somos uma totalidade em movimento. Assim, uma criança que só fica sentada em sua carteira copiando do quadro e, em casa, sentada diante da TV, do computador ou com um tablet ou celular nas mãos, perde grandes chances de se desenvolver emocional e cognitivamente.

* Uma característica importante do aspecto lúdico da brincadeira e do jogo é a finalidade em si mesmo. Se uma atividade se torna utilitária e subordinada a um fim, ela perde o atrativo e as características do jogo. Por exemplo, se ofereço brincadeiras apenas com um fim didático sem que proporcionem o envolvimento dos pequenos, estas tendem a se tornar maçantes e sem sentido. Cabe observar, que tudo que se torna rotina perde muito de seu encanto, e que é importante não fazer da brincadeira uma situação repetitiva, procurando dar à criança possibilidades de criatividade e autonomia.

O aprendizado mais eficaz não se dá quando a criança está imóvel sentada na cadeirinha e, sim, quando pode agir, tocar, experimentar, vivenciar. Uma postura muito rígida e autoritária pode afastar o aluno do professor e a rebeldia em sala de aula pode ser a forma que a criança encontra para denunciar essa carência de contato e de chamar para si a atenção do professor. É importante frisar que a educação autoritária contribui para o bloqueio da criatividade e da espontaneidade. Limites são essenciais, a criança não pode fazer o que deseja. Mas cabe aos educadores exercitarem também a sua flexibilidade e bom senso.

No próximo texto, vamos analisar os estágios que Wallon nos traz em seus estudos com base na idade dos pequenos.

Suas perguntas, sugestões e comentários são bem-vindos. Deixe-os no espaço abaixo que responderemos assim que possível.

Fotos retiradas da web.

 

Resiliência: aprendizagem necessária

A palavra resiliência nem sempre, ao ser usada, se mostra compatível ao conceito que representa ou à sua complexidade, o que acontece, com frequência, com assuntos que são mais comentados ou que “estão na moda”. Modismos à parte, é muito importante que, da infância à idade mais avançada, nossa capacidade resiliente seja estimulada. Minha intenção é falar um pouco sobre isso de modo a contribuir, especialmente, com professores, pais e todos aqueles que estão envolvidos com crianças, uma vez que desenvolver a resiliência significa criar possibilidades de uma vida com mais qualidade, equilíbrio e flexibilidade.

Resiliência é um conceito que veio das ciências físicas, referindo-se à capacidade de materiais voltarem à sua forma original quando cessa a pressão exercida sobre eles. Podemos visualizar essa ideia facilmente se pensarmos em um elástico que volta ao seu tamanho quando deixa de ser puxado ou em uma esponja que, se apertada, muda de aparência, mas quando a pressão da mão deixa de existir, ela retorna ao seu aspecto inicial.

Transferindo este conceito para as ciências humanas e sociais, a resiliência se expressa na capacidade de um indivíduo ou de um grupo enfrentar as adversidades de forma a superá-las. Isso não significa ser invulnerável, ou seja, passar pelo problema sem ser afetado, e sim de ser capaz de encontrar respostas positivas para as situações, mesmo com a existência de dor, angústia e de conflitos. Significa poder continuar a viver de forma participativa e produtiva; ser capaz de se reconstruir, de se comprometer com a vida, sem “entregar os pontos”. Ser capaz de “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima” como apregoa uma conhecida canção popular.

A resiliência tem se mostrado muito importante nos estudos, nas teorias e pesquisas sobre desenvolvimento infantil e saúde mental, se mostra também como um novo caminho a ser percorrido na busca de crescimento pessoal e de integração social.

Cada pessoa tem sua forma própria de lidar com as dificuldades. Algumas “desmoronam” por muito pouco, outras “balançam”, mas conseguem se refazer; há ainda as que se desesperam ou se revoltam e, desnorteadas, não conseguem encontrar saídas. O importante é saber que a capacidade resiliente pode ser desenvolvida, que não é algo inato, isto é, não é algo com que já nascemos; que há momentos em que podemos estar mais fragilizados que em outros.

Estudiosos afirmam que quando o indivíduo consegue resistir a situações potencialmente desfavoráveis, ele pode neutralizar ou diminuir suas consequências negativas, inclusive vindo tais adversidades a contribuir para sua flexibilidade e o seu amadurecimento, aumentando sua capacidade resiliente.

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A brincadeira, a alegria e o apoio afetivo ajudam a criança a passar por momentos difíceis.

As crianças iniciam suas experiências em família e esta tem um papel fundamental de lhe trazer segurança, afeto e limites. Um ambiente familiar que proporcione tais aspectos à criança, facilita muito um contexto saudável e de apoio ao seu crescimento. Ao entrar na escola, surgem os amiguinhos, a linguagem se expande, as relações sociais na mesma faixa etária se ampliam. Os novos vínculos criados no ambiente escolar aumentam os fatores de resiliência na criança.

Cabe aos pais (ou responsáveis) estimular os processos de adaptação e de interação dos pequenos para melhorar o convívio com parentes, vizinhos, coleguinhas, professores e demais pessoas que participam da vida da criança. Daí, também, a importância de não se fazerem críticas na sua frente à escola, ao professor, etc para que aprendam a respeitá-los.

Quais as características do ser resiliente?

José Tavares, estudioso de resiliência e educação, aponta cinco características que considero fundamentais para serem trabalhadas desde a primeira infância: autoestima, criatividade, autonomia, flexibilidade e vínculos afetivos. A autoestima positiva permite a autoaceitação e o respeito a si mesmo e ao outro, ajuda a aceitar críticas e saber usá-las em favor próprio. A criatividade permite buscar formas diferenciadas de resolver ou fazer algo, de solucionar um problema, de encontrar um meio de expressar alguma coisa. Ter autonomia é ser capaz de buscar as próprias soluções considerando regras, valores, a perspectiva pessoal e a do outro. É ter competência para atuar no seu mundo. A flexibilidade é a capacidade que permite produzir mudanças no modo de agir ou reagir de acordo com o momento, buscar respostas alternativas para solucionar problemas, elaborar respostas mais adequadas para uma situação. Em sentido mais amplo, é poder se adaptar a novas circunstâncias, superar dificuldades ou obstáculos.

Os vínculos afetivos são um ponto crucial para o fortalecimento da capacidade resiliente, merecendo algumas observações. As relações familiares são os primeiros vínculos estabelecidos e que, hoje, assumem formas diferenciadas de constituição. A organização pai, mãe e filhos já não é necessariamente a apresentação mais comum. Podemos ter pai ou mãe com seus filhos, casais homossexuais em que há duas mães ou dois pais, famílias de novos casamentos que, ainda, podem unir filhos de casamentos diferentes, crianças criadas por avós, enfim, um grande mosaico de possibilidades. Outro ponto importante a considerar é que, atualmente, de modo geral, ambos os cônjuges precisam trabalhar, ficando a criança mais tempo sem a sua companhia. E são muitos os desdobramentos destas, muitas vezes, complicadas organizações.

Vínculos afetivos trazem segurança, aspecto essencial para o desenvolvimento saudável

Nesse contexto, é muito importante que a criança se sinta acolhida, amada, que tenha regras e autoridade dos responsáveis bem estabelecidas, limites claros no contexto familiar e uma rotina instituída. Estes pontos são fundamentais para que se sinta segura e saiba não só de seus direitos, mas também de seus deveres. Que não seja o reizinho ou a princesinha da casa que dita todas as leis, a criança que ganha tudo o que quer porque os pais se sentem culpados de não terem tempo ou energia suficiente para estabelecerem os limites necessários. Estas posturas não são provas de amor, nem estabelecem os vínculos necessários que gerem segurança, respeito e confiança. Estas posturas infantis se refletirão nas suas relações, tendendo a gerar muitos conflitos na escola e na sociedade.

Se a criança se habitua a respeitar regras em casa, a ter limites estabelecidos, ficará muito mais fácil atender às regras e limites necessários na escola e na sociedade, o que temos visto não ser muito fácil para algumas crianças e adolescentes.

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Liberdade protegida é uma forma de cuidar e estimular a autonomia

A aprendizagem do respeito aos limites e ao outro começa sempre com a própria vivência do ser respeitado quando se é criança, de esta criança ter seus limites físicos ou emocionais também considerados; e da compreensão de que as regras são construídas para uma melhor convivência, e não impostas aleatoriamente. Ou seja, instituir regras é tão importante quanto a forma de fazê-lo, estabelecendo e discutindo em conjunto tais regras.

Quem tem filhos sabe o quanto os auxiliares são importantes em determinadas situações, sejam eles pessoas que trabalham para a família ou amigos, vizinhos e parentes que nos tiram de situações difíceis e que podem trazer nossos filhos da escola, acolhê-los numa emergência ou, até mesmo, levá-los ao médico ou à festa do coleguinha. Entretanto, cabe aos pais manter o comando e os cuidados da educação de seus filhos, estabelecer regras e limites, mostrar de forma clara o que pode ou não ser feito, o que é uma forma de amor. Assim como acolher, ouvir, dialogar, compreender, acarinhar também o é.

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Contar histórias: uma forma de dar atenção, carinho e aprendizagem

O amor é um vínculo poderoso e acredito que seja fundamental para que possamos sair das situações difíceis com mais inteireza e maior facilidade. Ter apoio da família torna tudo mais fácil para a criança. Da mesma forma que poder contar com laços de amorosidade amiga e confiança ajuda também a nós, adultos, a superar muitas crises.

No próximo artigo, continuaremos este assunto, pensando possibilidades de estimular nossa capacidade resiliente através da arte. Se tiver alguma dúvida em relação ao que foi apresentado, se algo não ficou claro, se tiver sugestões ou quiser fazer comentários, entre em contato conosco através do espaço logo abaixo. Sua participação é sempre muito bem-vinda e significativa.

As fotos são de meu arquivo pessoal